segunda-feira, 16 de março de 2009

Cada um por si e Deus por todos

Horóscopo de hoje
"É importante ouvir conselhos, mas acontece que no tempo atual, e dadas as condições do mundo, as pessoas andam mais medrosas do que nunca e, por isso, oferecem conselhos travestidos de prudência, mas que são calcados em puro medo. "
Faz todo sentido depois de me sentar horas numa mesinha de livraria e, logo em seguida, receber um balde de água fria da minha mãe.
Explico. Ouvi várias pessoas comentando que o livro Comer Rezar Amar é maravilhoso. Então o comprei no Submarino. Como faltam dois dias pra chegar, eu, Senhora Ansiedade, resolvi começar a lê-lo na querida Siciliano do Iguatemi, tomando um belo capuccino.
Identificação total: uma mulher no universo dos 30 anos incompleta na sua vida "perfeita" e sentindo-se culpada por não conseguir apenas agradecer aos céus pelo que tem e sorrir sempre.
Até que, durante uma oração desesperada no chão do banheiro, sente-se lúcida e segue em frente pra mudar a própria vida e encaixá-la nos trilhos da verdadeira completude.
Comentando isso com minha mãe, ouço "essa mulher é complicada, não parece com você... seja feliz com o que tem".
O primeiro sentimento é me sentir ridícula, uma mimadinha infeliz. Mas depois fico chateada, pois não sou maluca nem complicada, só tenho perguntas que não foram respondidas. Ao mesmo tempo me desiludo, pois minha mãe não me entende. Então, quem vai me entender? Eu vou me entender?
Tenho sim um vazio dentro de mim. Não pretendo pular daqui do sétimo andar nem me drogar. Já passei dessa idade. Mas pretendo entender o que me falta. É a velha questão: qual o sentido da vida? Por que aturamos tanta coisa se vamos morrer no fim? Existe algo além.
Há um bom tempo não vejo mais graça numa coisa que sempre me fez bem: festa. Pois é, como todo adolescente tive meus dias dionisíacos, apesar de já ter mais de 21. Só que isso não tem mais o mesmo gosto.
Tive meus momentos de pura beatice, mas não vejo a religião como antes e ir na Igreja não é mais suficiente, principalmente porque me sinto hipócrita, já que discordo de algumas coisas. Só não está abalada a minha fé NELE.
Nem o esporte, por muito tempo motivo de satisfação, me interessa mais. Então, pra que acordar na segunda-feira e fazer planos? Que planos?
Mas, ao mesmo tempo, tenho algumas contas pra pagar, preciso me manter com meu próprio trabalho e não sou herdeira de ninguém rico. Na verdade herdei só doenças, nada de grana.
Ou seja, jamais poderei me mandar pra Indonésia e receber ensinamenteos de um xamã, como o fez a personagem do livro que citei.
Faço terapia, ok. Às vezes vou a um grupo de oração, ok. Tenho conversas profundas com minhas amigas, ok. Mesmo assim, nada de encontrar o tal sentido.
Mas não posso negar que as conversas comigo mesma sempre dão um bom resultado, por exemplo perceber do que NÃO gosto, e que tenho que ter meus pés plantados no chão pra poder elevar a minha alma. É contraditório, aparentemente. Mas significa ter ciência exata do que se passa e dos sentimentos pra depois trabalhá-los.
Comecei a ler agora, acho que ainda vou escrever mais sobre as sensações que esse livro vai despertar em mim.
Então, até o próximo capítulo.

P.S.: a mim parece óbvio o que o horóscopo quis "dizer".
Minha mãe quer me ver feliz (lê-se estável).
Mas não é a única opção de felicidade. Posso encontrar outra.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pé do meu samba... Caetano

Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão

Você é a festa da Penha,
A feira de São Cristovão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal

Nunca me deixa na mão
Você é a canção que consigo
Escrever afinal
Você é o Buraco Quente
A Casa da Mãe Joana
É a Vila Isabel,
Você é o Largo do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!

Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Outeiro
Tudo para o coração
De um brasileiro.